segunda-feira, agosto 06, 2007

pausa sem tempo!





fui encontrar-me com o tempo,

na janela aberta.

vestígios de saudade envolviam-me.


pensei ser eu o tempo,

aquele que me dá horas

que me contamina os dias.


o tempo com sombras

desligadas da luz

e da memória.


contemplei o horizonte

e o tempo não era eu.


sinuosas buganvílias

cresciam no meu olhar,

entre sorrisos definhados

de um silêncio que não me abandonou.


arde-me o sal dos dias de amar

numa ausência inabitada.

o tempo tem hora

tem meia verdade por direito,

traz a mancha, o vicio, a pausa mágica


o instante é destino

ou delírio emudecido,

vestido com a verdade

que se foi no vento da ironia

de um vazio turbulento.


a voz do mar emerge

num tempo sem vício,

a janela fecha-se

à melancolia inóspita das palavras

em meio rosto disfarçado de nadas.


surgem afectos, lembranças e indiferenças

grito para sentir o silêncio.

fico do lado de cá do tempo

que não existe e espero.


repentinamente sem a chamar

aparece a pausa,

a pausa sem tempo!



l.maltez

terça-feira, julho 10, 2007

silêncios quebrados


tempero a noite com a lua
encosto-a à sombra dos sentires.
desenho-lhe asas,
dou-lhe sonhos
em simbiose perfeita de delírios
pintados em brilhos enfeitiçados.

sussurradas em artérias desconhecidas,
as caras vibram entranhadas
nas imagens dos espelhos.
o perfume que deixam
é agudo, crispado, ressacado.
sorvo o a luz das alucinações,
atravesso a cidade
perdida na calha da noite.
tocam-me palavras sensíveis
cheias de leveza e desejos.
a ausência sente-se
na paixão que se prende nas veias
coloridas das nuvens rasgadas.
o corpo exausto treme
na ânsia dos silêncios quebrados.

l.maltez

sábado, junho 23, 2007

horas somadas



olho

vejo a chuva cair

consegue ocultar tudo lá fora.

fecho os olhos

imaginoa chuva assim

miudinha caindo de raiva,

imagino o sorriso no teu rosto

o sabor de um beijo molhado.

abrigo-me de ti

ou

de mim nem sei

penso se renasci neste dia vago

como em tantos outros dias vagos

onde pensei que morri,

em noites inventadas de nada

e que o nada é teu rosto

surgindo numa paisagem de nevoeiro.

não me importa que seja a chuva,

o nevoeiro,

o vento ou a madrugada,

não me importaque seja a noite.

só desejo

algo que te traga


l.maltez


somei horas que se transformaram em anos, sim, há alguns anos que aqui partilho
na minha cabana, palavras com que vou brincando. foi num mês de junho de alguns
anos atrás.
a cabana continua a ser construída por palavras, as minhas e
especialmente as vossas que me acarinharam e estiveram sempre presentes, mesmo
quando me ausento, por motivos que me ultrapassam
hoje vim deixar as mesmas
palavras que deram inicio à cabana, fiz alguns quilómetros mas consegui
transporta-las. bateu a saudade no tempo…

lena


terça-feira, junho 05, 2007

hoje!





o tudo começa hoje

arrumado em prateleiras da vida.

as mãos empurram as horas

e cortam a verdade em gomos

de delírios abandonados.


recomeça o caminho rasgado

nos becos de estátuas plúmbeas.

ruíram em pânico tristezas,

surdas esburacadas de ideias

em imagens fundas de uns olhos.


a roda da janela sorri insultuosa

e imita gargalhadas de escárnio.

espalham-se no tempo intransponível

deambulam mareantes

nas incertezas da bruma.


dançam figuras de várias faces

cada uma um poliedro.

arestas e vértices congruentes

arrastam sílabas sem tempo

para dentro da noite roída.


abre-se hoje a ferida miraculosa

no esparso mágico leito


l.maltez





terça-feira, maio 22, 2007

desafios

chegou a altura de ajustar umas contas antigas, o meu querido amigo Nilson do blog http://nimbypolis.blogspot.com/ , acha que o faço pensar, embora eu o contrarie e lhe diga: tu sim fazes-me pensar ao longo destes anos todos. demoro já uns quantos km para ir buscar o teu nosso banquinho e ler-te com um enorme prazer, fica aqui registado: apesar de receber o Award Thinking Blogger, vou passa-lo a todos os que me visitam ou comentam. são todos eles que vão construindo esta cabana com palavras e me alimentam. Obrigada pelo carinho Nilson






mas ainda há mais, a minha doce e querida amiga Margusta, a menina que tem o cheiro a maresia e me encanta, do blog da cor do mar http://margustamar.blogspot.com/ resolveu desafiar-me para um même". sim e agora o que é um même? vou repetir o que muitos já sabem pegando na corrente que vem de longe:

Segundo me dizem, um "meme" é um "gen ou gene cultural" que envolve algum conhecimento que passas a outros contemporâneos ou a teus descendentes. Os memes podem ser ideias ou partes de ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma. Simplificando: é um comentário, uma frase, uma ideia que rapidamente é propagada pela Web, usualmente por meio de blogues. O neologismo "memes" foi criado por Richard Dawkins dada a sua semelhança fonética com o termo "genes".


"SOB A CAPA DA BONDADE ESCONDE-SE A MALDADE"
Maria Carvalho

as regras mandam que o devo passar a alguém, desafio todos os que ajudam a construir esta cabana a dar-lhe continuidade

a ternura de um abraço à
Margusta





navego em leis que acredito
como um pássaro absurdo de raro

navego maravilhosamente enclausurada
numa gaiola climatizada

navego no pleno deleite dos sentidos
como cata-vento de aromas

navego entre palavras suicidas
pelo nevoeiro dos sonhos

navego ao fundo das ruas
em espaços brancos, sem luz

navego na irregular noite
nua de voláteis visões

navego na simetria de um pacto
perdida nos limbos da seiva

navego no ódio de uma maré
indizível do vulgar silêncio

navego no veneno fulgurante
ressequida de velhos mistérios

navego num [a]mar azul
onde um ontem foi teu nome

navego nas horas para além de mim!


l.maltez

terça-feira, maio 08, 2007

sem medo…



entra o vento na alma.
coalha o poema dentro do corpo
e os dedos deixam de cantar.

param as horas na mente branca.
o riso salva o silêncio
na sombra dos olhos abissais.

cessa a vida calcada,
num livro envolto de miragens.
insignificante o negrume do desejo.

na areia enterra-se o prazer.
pestífero difuso da mágoa
de ser ameaça insuspeita

esquece o acaso inimigo
em dias de discernir ruídos.
o dia cansado senta-se.

não há vacuidade no valor de base
da imaginação fluente.
os sonhos não têm peso

a linguagem da morte encalhou,
resta um corpo na poesia despida!


l.maltez


quero agradecer a Bom dia Isabel a nomeação do Thinking Blogger Award para a minha cabana. o espaço da Isabel é visita diária, é um espaço onde a escrita flúi com emoção, onde me delicio com momentos da vida real, descrito com grande sensibilidade e saber. obrigada minha amiga, tu sim fazes pensar eu só sei juntar palavras sentidas…



sexta-feira, abril 27, 2007

estrela na manhã


veio de longe
do lá de lá do universo
e parou.
parou, quis firmar um dever.
poisou na palma da minha mão
como fosse o lugar inculcado.
rodopiou e descansou.
brilhou como o sol
numa expressão de entrega
cintilou, ficou incandescente
e mudou de cor
era a estrela da manhã
fixei-a, reconhecia
esperava-me todos os dias,
contemplava-a, sorria e continuava

hoje quis poisar na palma da minha mão
veio realizar o meu desejo
em silêncio via-a deslizar
suave e luminosa.
por algum tempo
senti-a em mim.
aproximei-a no meu peito.
em silêncio ouvi o som
das cordas de violinos
entre ternura de suspiros.
o brilho iluminou meu olhar
atravessou o infinito para me ensinar
que vale a pena sorrir.
no mundo há sempre sentido para a vida
e segredou-me o talento de amar

na minha mão ficou a bailar
e comungamos com magia a teia dos segredos

l..maltez

sábado, abril 21, 2007

prémio especial...



vou desta vez chamar-lhe assim, especial, foi com emoção que de novo o fui receber, o , Cusco e a margusta acharam que a minha cabana os faz pensar, o meu agradecimento é enorme, pois são pessoas que estimo muito, sabem estar na blosfera, e têm contribuído com momentos muito especiais. eu continuo a dizer que só sei brincar e juntar palavras, nada mais que isso.

para cumprir com o regulamento como já abaixo aconteceu, vou nomear de novo cinco mais cinco blogs, correndo o risco dos mesmo já terem sido nomeados, mas como para mim são mesmo quem me faz pensar, pela minha leitura assídua aos seus cantinhos, embora sejam muitos mais a quem dedico a minha leitura, o meu carinho e a minha admiração e se tornaram igualmente em blogs que me fazem pensar. sem qualquer ordem porque todos merecem a minha atenção nomeio:

Claudia Perotti

uma senhora, na poesia, imagens ou fotos, uma Poeta por inteiro

MARIA VALADAS

a doce Maria que toca nas palavras e as transforma e belos poemas carregados de melodias

João Cordeiro

ler o João é sonhar em full time, é viver cada momento no presente

Isa&Luis

do virtual à realidade, onde cada capítulo tem o condão de nos prender

daniel sant'iago

um poeta, um poeta com ou sem pausas, com ou sem semicolcheia, ou até con-certo


Kalinka

um cantinho acolhedor, um lugar onde a informação é bem cuidada, onde muito se aprende

wind

a menina que prima pelo bom gosto, onde a poesia se faz sentir

Menina_marota

A menina linda que encanta, onde a poesia é a própria menina

António

Estórias e momentos deliciosos que fazem do seu cantinho uma admirável sala de leitura, presenteando-nos com a sua excelente escrita

isabel mendes ferreira

o cantinho onde as palavras tocam piano conjugadas com a poesia

Pink

o brilho da boa poesia no seu bom gosto de partilhar

alice

o prazer de ler, o prazer de saborear, o prazer de sentir cada palavra, o prazer de ler o que é muito bom

não sei se ultrapassei o número dos que devia nomear, se tal aconteceu paciência, foram os que me vieram à memoria e eu a escrever não sei contar…

não poderia deixar de agradecer de novo à margusta, tu sabes que te adoro, minha menina lindo do mar e ao Cusco, um amigo que todos gostariam de ter e que tive o prazer de o encontrar neste mundo dos blogs e o considerar meu amigo

deixo algo que escrevi, pois só sei mesmo juntar palavras:



peguei hoje nas palavras

dei-lhes forma, cor e melodia


sorri quando foram verdes

e fechei-as no livro do mundo

estampado numa paleta.


ficaram redondas, quadradas e até trianguladas,

tecias na linguagem da realidade.

e transformei-as para fugirem à anarquia.


tocaram chopim, vivaldi e até mozart.

escutei-as, isolando a memória.

simulei o equilíbrio das visões.


transcreveram o pensamento,

estilhaçaram a magia, a intriga

e receei a realidade mascarada.


peguei hoje nas palavras

bebi-as lentamente na insónia de um ontem!



l.maltez





quarta-feira, abril 18, 2007

Um prémio!

vim em agradecimento a alguém muito especial que muito tem feito para a blosfera se tornar cada vez mais divulgada e também muito se tem esforçado para engrandecer a poesia portuguesa! Claro que me refiro ao blog Poesia Portuguesa que me atribui o Award Thinking Blogger, agora vou ter de limpar e arejar bem esta cabana que se manteve aberta, mas com a minha ausência. sorte minha pois todos colaboraram com a vossa entrada e mantendo-a a brilhar mais que nunca, com os vossos deliciosos comentários. agora mãos à obra, ao aceitar este prémio vou ter que distinguir cinco blogues meus preferidos. o pior é que são muito e muito mais de cinco os blogues que aprecio, onde vou regularmente, mesmo sem os comentar, mas gosto de lhes sentir o sabor dos deliciosos momentos que partilham.

dou voltas à cabeça, toco piano, na mesa, com as pontas dos dedo até sentir formigueiro e não sei por onde começar.

Mas regras são regras e tem que ser, sem ordem nenhuma, só porque me vão vindo à memória distingo:


Além de Mim-Dulce a poeta, a escritora, a doçura em palavras que nos deixa

Refúgio... a poesia que se saboreia e tem o doce cheiro da mais bela rosa

Leonoretta – Leonor a menina dos improvisos, das letras bem tratadas

vida de vidro – palavras que se soltam e encantam a vida

Nilson Barcelli – um poeta que sabe bem ler e prima pela sua qualidade


desculpem não ficava com a minha consciência tranquila se não desse pelo mérito, pela sua persistência e grande força de vontade a alguém especial para mim e para muitos aqui na blosfera, uma menção honrosa e que me desculpe a Poesia Portuguesa à:

margusta – a menina do mar, com cheiro a maresia, que tão bem sabe poemar

um agradecimento muito grande à Poesia Portuguesa, pois tem feito um belíssimo trabalho na divulgação da poesia portuguesa, quase na integra de poesia que se faz na blosfera,

com um abraço terno e cheio de carinho deixo:

o silêncio caminha nos sonhos

entra na alegria da simplicidade.


escuta o canto inabalável de viver.

espalhasse nas páginas brancas,

onde o calor dos dedos se sente

para nascer das folhas invisíveis

o amar em frases sentidas


então a rosa abre com a força da vida!



l.maltez




domingo, abril 01, 2007

desci a noite!




caminhei pela borda da noite

para lhe cerzir a luminosidade,

remendei o nada.

com a fragilidade dos sentires

e com a invenção da palavra,

varri a imaginação.


matei a sede na poeira da desolação.

adormeci envolvida na imagem

dentro dos sons da cidade nua.

as voltas do tempo

levaram-me a ti.

foi breve o olhar

no crepúsculo inesgotável.


desci a noite

nas mãos da alvorada



l.maltez

sexta-feira, março 16, 2007

homem




o homem entrou carregado de sombras
foi lugar no instinto dos sons da noite
e entrou no lado errado da rua.
o homem sentou-se esgotado
sentiu frio,
sabores
e desejos.
sonhou!
o banco era a sua casa,
suja, húmida, sem calor.
navegou no vento,
com remos de prazer
cortou as veias à vida,
e o sangue aqueceu-o.
traiu o amor
num corpo desconhecido.
desejou um rosto aberto
atravessado na paixão
do precário silêncio.

o homem sentiu-se homem,
no ventre de uma mulher!


l.maltez

terça-feira, março 06, 2007

lugar misterioso


deslizei vagarosamente nas palavras frágeis da vida. arrastei o olhar, depois de mim e parei na sombria manhã cinzenta. não entrei. o cansaço deixou-me presa à rua tingida de afectos. bebi apressadamente as sombras exaustas, penetrei num olhar bêbado de maresia e pressenti a aproximação do mar. deambulei sem medos, sem fulgir o dia , deambulei até sentir a voz do mar. centrifuguei o peso da pressão que sentia no corpo, murmurando através do silêncio, o tempo íngreme do instinto que me fazia prosseguir. ocultei com as mãos a cara chamejante, e segui o destino melancolicamente. sabia que chamava por mim, o meu nome era repetido insistentemente, numa voz pálida mas volúpia. o sangue saltava das veias fervente, tinha um aprazível sabor a sal. resvalei até ao limite da efígie, abraçou-me a onda, num terno vacilar.


deixei a maré abrigar-me, fui vicio, amor ardente, excitação, fui eu e ele, dentro do teu olhar. hoje sou o lugar misterioso que dormita dentro de ti.


l.maltez


domingo, fevereiro 25, 2007

cisma




breve o olhar sem brilho

percorre as ruínas do tempo

a noite despede os inúteis,

chega a última hora,

a hora em que a cisma entra

nas decisões da memória


troca por instantes

o intervalo vazio da solução,

pela pousada despedida.


entra na veia das emoções

carrega nos ombros os seus males,

na perda que tanto lamenta


o espírito, branco e sem luz

paira ébrio sobre a noite que desce!



l.maltez

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

sentires




saltei os dias, enquanto minha mãe embalava a máquina do tempo, tentando esquecer os gritos ruidosos. sentia o vai e vem acelerado da vida vazia, que guardava na memória das redes de secretos desejos. carregava nos ombros cactos. picavam-me a pele queimada pelo salitre. não havia dor, o sangue escorria como áscuas. a paixão perseguia um rasto agudo. fulgurava a pressão aterradora do sibilar da cobra pérfida, que atravessava o silêncio, da minha memória. saboreava no outro lado do dia, pitangas que colhia no quintal sem paredes. um rasto de esperma precário, fazia-me recordar erros em salas de tortura. senti-me um lugar. os sonhos transmitiam nevoeiros de palavras embaciadas mas hábeis. desnudava muda o ardor das manhãs. no espelho da casa onde vivia, as sombras tomavam formas de corpos rasgados de mim, enlaçados na sofreguidão do ciúme.

os pássaros com mangonha, debicavam a goiaba pútrida. estendi os dedos e toquei nas aves. sobre a mesa da sala, outras mãos, unidas nas sombras, filhas de estrelas escondidas e sem rostos. mãos que acariciavam o saber místico dos sentires. os dedos dançavam no brilho dos meus olhos, senti-os gélidos, extensos. olhei-os fixamente e saltavam miraculosas cores luminosas. feriu-me o gelo intenso da luz.

por fim, adormeci no sumo do fruto proibido.
entrei no engano das imagem...


l.maltez

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

o espanto da luz




a luz espanta através da sombra
e deixa-me morrer lentamente
ancorada às manhãs frias...


lena maltez


os pássaros deslizam sobre as mãos.
cena perfeita de literatura
para falar da morte
onde a única vigília é a constância
de morrer.

deslizam sobre as mãos
como voo de pena de ave
os duendes de cronos
no artefacto da finitude.

a morte é a luz que espreita suave
sem percebemos a grandeza
da claridade que nos oferece.

josé félix


escrevo palavras numa folha de papel
prendo-as ao fio das manhãs…


l.maltez

recebi do poeta que admiro muito josé félix uma oferta, com um enorme significado, tocou-me bastante, por isso não podia deixar de o partilhar, nesta cabana feita de palavras


obrigada Poeta josé félix

sábado, janeiro 20, 2007

um momento




escutei a tua voz, dentro da melodia
chegou transparente, agarrada à emoção
foi arte pendida num mistério precioso
golfada fresca num trabalho de beleza
foi matéria atenta,
júbilo inesquecível.
potência da razão resplandecente

veio abraçada às palavras,
ritmada, pausada,
foi símbolo delicado que fez luz,
loucura desabrochada de esplendor
viajou triunfante nos textos
sem medos, onde a música se fundiu
até à dilatação no éter do fascínio

irrompeu ramificada
na inocência dos sentires.
debruçou-se inundada
sobre o leve peso dos sonhos,
reclamou à sabedoria
a teia dos gestos etéreos
foi profunda, misteriosa, tocante..

a tua voz vibrou
fez crescer a palavra dita!


l.maltez



escrevi para Luís Gaspar este momento, pela sua dinamização e dedicação à poesia,
uma partilha por inteiro, dentro de uma grande emoção é o que sinto quando o oiço dizer poesia



Ouvir o poema na voz do Luís Gaspar

(Desligar p.f. A música de fundo para ouvir o poema)

domingo, dezembro 31, 2006

retira-te





as horas atropelam-se velozes

abrem-se portas e janelas…


quero que partas sem deixar rasto,

sem olhares para trás.


envelheceste duro de gestos,

amargo nas palavras

disperso na memória

fugitivo de um corpo, com mágoa

afogado em melancolias,

misterioso, no silêncio da morte

doutras pegadas perdidas


deixa o tempo evaporar a tua visão

na perene memória da ostentação.

acorda fora de ti

esquece o segredo da vida

dilui-te na loucura dos sonhos.

prende esse olhar, às horas impossíveis,

gasta-te na noite crepuscular


o receio de não encontrar um diferente

ficará oculto!



l.maltez

sexta-feira, dezembro 15, 2006

silêncio




bate à porta o silêncio, mando-o entrar,
nas paredes, as sombras reflectidas por um candeeiro de mesa, tomam cor. arrepio-me, sinto frio. cinzento, o silêncio senta-se ao meu lado, segura as minhas mãos gélidas e roxas, sente o meu medo e acaricia-me.
descubro nas sombras, um rosto delineado, parece-me o teu, com os olhos cheios de brilho, num tom esverdeado.
és tu o silêncio!
o silêncio que escuto e me abraça.
irrompem no meu corpo palavras tuas, misturadas com o tiritar do frio que há dentro de mim.
entramos no nevoeiro dos sonhos, eu e o silêncio, de mãos dadas perseguimos um rasto de luz, construído de objectos de um tempo que cresce.
procuro esse tempo, a luz do teu olhar mostra-mo murcho, disforme e carregado de sentires. flutuamos unidos, no crepúsculo embriagado das noites de ninguém. pressenti nos teus gestos o quanto amei e embalamo-nos a dor sem medo de nos destruirmos.

fico para sempre ligada ao silêncio como um pacto de sangue, alimentamo-nos de secretos desejos.


l.maltez

segunda-feira, novembro 20, 2006

sombra dos sentires





acordas junto à sombra dos sentires
perdido no movimento azebre,
fulguras da tristura ocasional
de um tempo passado
sem prazer.

suave na sua mudez,
a terra olha-te em silêncio.

escutas a voz do perigo
entre o bem e o mal,
consegue pousar
do lado da luz
no frio que te dá ordens

do coração saltam feridas
devoradas pelo infinito

já nada sentes
embriagado na música inaudível,
expeles do teu corpo uma seiva amarga,
e imploras para renascer
de um ventre sem rosto

aguardas na praia que a maré vaze,
encontro-te...

dou-te a minha mão!

l.maltez

domingo, outubro 01, 2006

são horas!





são horas...
não de partida, mas de chegada...
uma chegada assim, entre a luz
que encanta a cidade
de um tempo branco.
os sonhos habitavam esse tempo
entre silêncios de angustia,
são horas, horas sem sombras
onde o poema se transforma
dentro do papel da memória.
o dia oxida a boca
desliza no corpo
estremece nas saudades do passado.
as cores mal pousam no dia
respiram pelas areias
onde a cidade descansa.
vozes despertam o vento
ressoam gestos violados
a chegada perde-se na rua
mas leva o sorriso do amor

nada se desfez
no dia que cresceu...


l.maltez